Texto 3

 Chapéu de palha


Seu moço, um chapéu de palha,

palha de côco pra sua cabeça,

esse sol que não dá trégua

essa vida que não se aguenta.


As palhas foram trançadas

cada fio, o seu caminho,

cada buraco, uma volta

uma cova, um céu, um vazio.


E essa carapaça leve, bem urdida,

feita por minhas mão feridas

eu lhe ofereço por quase nada

uma coisa em troca da nada.


Pois se juntei o que a palha espalha

e dei forma a algo que não havia

será que por isso que é um tanto e pouco

um tanto e pouco eu não merecia?


Seu moço, um chapéu de palha,

seus bolsos, remexa e encontre

não é possível que sejam sem fundo

a carteira, a palha e minha fome.


Aqui na praia, essa ventania

não deixa nada em paz, parado

Tudo se move e mesmo o mar

parece furioso e cansado.


Eu vou de barraca em barraca

vendendo aquilo que posso e fiz

minha pele cada vez mais grossa e escura

areia no rosto, suor, sangue, nariz.


Mas o chapéu de palha brilha na imensidão branca da praia.

De cima, do céu, as cabeças giram no passeio entre as trilhas

entrelaçadas em festa de música que não se ouve,

de dança que se dança e voa além das águas do mar.


Ah, um belo dia se foi.

Amanhã será melhor

voltar e tecer

um chapéu para as cabeças.







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